A Nokia, gigante finlandesa de equipamentos de telecomunicações, lançou um forte aviso ao mercado: as redes de comunicação que usamos hoje não estão preparadas para sustentar o crescimento massivo da inteligência artificial (IA). Isso está baseado em um novo estudo da própria empresa, que reuniu mais de 2.000 líderes de tecnologia e telecomunicações nos Estados Unidos e na Europa.
O que está acontecendo?
Segundo o relatório divulgado em dezembro de 2025:
Redes atuais têm limitações claras de desempenho — mais de 80% dos operadores afirmam que as infraestruturas existentes não dão conta da demanda de IA hoje.
Problemas já estão acontecendo — muitas empresas já enfrentam latência alta, interrupções de serviço e gargalos de throughput por causa do volume de dados que aplicações de IA exigem.
O problema é global — tanto na Europa quanto nos EUA, há consenso de que a infraestrutura precisa ser atualizada para suportar um “superciclo” de IA — um período de crescimento explosivo em uso, modelos e aplicações
Por que as redes atuais não estão acompanhando?
A Nokia aponta que as redes tradicionais foram projetadas para tráfego humano ou aplicações de baixa latência, como vídeos ou chamadas. Já os sistemas de IA — especialmente grandes modelos usados em datacenters, analytics e serviços em tempo real — geram fluxos de dados gigantescos e padrões de comunicação muito mais complexos.
Em outras palavras, essas redes enfrentam um “estouro” de demandas:
- Volume de dados gigantesco
- Necessidade de baixa latência (respostas quase instantâneas)
- Tráfego bidirecional intenso (envio e recepção constantes)
- Exigências de segurança e confiabilidade ainda maiores.
Consequências práticas
Esse descompasso entre IA e infraestrutura pode causar:
Atrasos em sistemas que dependem de IA em tempo real, como carros conectados, automação industrial e analytics empresarial.
Redes congestionadas, com degradação de desempenho conforme mais aplicações de IA são ativadas.
Maior pressão por investimentos em backbone de rede, fibra óptica, edge computing e arquiteturas nativas para IA.
O que a Nokia recomenda
A própria análise defende que indústria, provedores de telecom e governos trabalhem juntos para modernizar a infraestrutura global:
- Atualizar redes para o que chamam de “IA-native” (ou seja, concebidas desde o início para suportar IA massiva).
- TechRadar
- Investir em tecnologias de baixo-latência e alta capacidade, como redes 5G avançadas, backbone óptico e edge computing.
- Nokia Corporation | Nokia
- Harmonizar políticas e regulações para viabilizar investimento e expansão de espectro de forma padronizada.
Por que isso importa para empresas e infraestrutura?
Uma rede que não evolui com a IA pode literalmente “travar” o progresso tecnológico. Isso afeta desde:
- Infraestrutura de data centers e serviços de nuvem;
- Aplicações que dependem de IA em tempo real (ex.: automação industrial e veículos conectados);
- Operações corporativas que já utilizam assistentes inteligentes e análises preditivas.
Essa mensagem da Nokia mostra que o futuro da conectividade e da IA está diretamente ligado à evolução das próprias redes que as sustentam — e que esse processo exige planejamento, investimento e parcerias estratégicas entre setores.